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ARTIGO - ACUPUNTURA NO QUADRO ÁLGICO DE COXARTROSE

INSTITUTO FLOR DE LÓTUS

 

ANA LETÍCIA ZANARDI DE FIGUEIREDO

LUCIANA CAMPOS DE LIMA

MARINA RESPINO GUEDES

 

                                  ACUPUNTURA NO QUADRO ÁLGICO DE COXARTROSE

                                                  (ESTUDO DE CASO)

MACAÉ

2014

Monografia apresentada ao Instituto Flor de Lotus como requisito parcial para obtenção do titulo de especialista emAcupuntura e Eletroacupuntura.

Orientador: Sergio Soares

 

RESUMO

A acupuntura é o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da medicina tradicional chinesa, que visa à terapia e à cura das doenças através da aplicação de agulhas, além de outras técnicas. A Medicina Tradicional Chinesa se baseia em conceitos energéticos, tendo o indivíduo como um todo e como parte integrante do universo. Diante deste contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos da acupuntura no tratamento de dor em virtude de coxartrose. Foi realizado um estudo de caso, com amostra composta de um indivíduo do sexo feminino, 60 anos de idade. O instrumento para coleta de dados utilizado nessa pesquisa foi uma ficha de avaliação segundo a Medicina Tradicional Chinesa, constando de Anamnese e Exame Físico. A principal medida para efeito comparativo da eficácia do tratamento proposto foi a escala numérica de dor, onde 0 representa ausência de dor e 10 dor máxima. A paciente apresentava antes de iniciar o tratamento um grau de dor severa correspondente a 8 pontos, e ao final foi relatado um  leve desconforto, representado por 2 pontos. Além da melhora no quadro álgico, foi possível observar outros efeitos positivos após o tratamento realizado, como redução de dores de cabeça, ausência de labirintite, melhora da qualidade do sono, diminuição de edema em pés, melhora da disposição física, entre outros.

 

Palavras-chave: Acupuntura.Dor.Coxartrose.

ABSTRACT

Acupuncture is the set of theoretical and empirical knowledge of traditional Chinese medicine, which aims to therapy and cure of diseases by applying needles, and other techniques. Traditional Chinese medicine is based on energy concepts, taking the individual as a whole and as part of the universe. Given this context, this study aims to analyze the effects of acupuncture in the treatment of pain due to coxarthrosis. A case study was conducted with a sample of an individual female, 60 years old. The data collection instrument used in this study was an evaluation form according to Traditional Chinese Medicine, consisting of history and physical examination. The primary measure for comparison of the effectiveness of the treatment was the numerical pain scale, where 0 represents no pain and 10 maximal pain. The patient had before starting treatment a degree of 8 points corresponding to severe pain, and the end was reported mild discomfort, represented by 2 points. Besides the improvement in pain symptoms, we observed other positive effects after treatment performed like reduction of headaches, lack of labyrinthitis, improved sleep quality, decrease swelling in feet,improvement of the physical disposal, among others.

Key Words: Acupuncture.Pain.Coxarthrosis.

 

  1. INTRODUÇÃO
    1. PROBLEMA E SUA RELEVÂNCIA

         

A osteoartrose é uma doença degenerativa que afeta as articulações, ocorrendo atrito entre os ossos devido a degeneração da cartilagem. A dor é a principal caracacterística desta patologia. Com o agravamento da doença inicia-se a limitação de movimentos, inflamação da articulação e consequentemente uma diminuição da qualidade de vida, levando ao afastamento das atividades sociais e posteriormente evoluindo para complicações sistêmicas devido a imobilização no leito (Machado, C.M, 2002). Atualmente a dor é uma das principais queixas dos pacientes nos ambulatórios, em especial se destaca a dor crônica, representando um problema de saúde pública (Marques, A.P ;Kondo, A , 1998).

A osteoartrose é a principal causa de incapacidade da pessoa idosa (Ministério da Saúde, 2004) e a mais comum das afecções reumáticas, atingindo cerca de um quinto da população mundial (NOVAES). Representa 30% a 40% das consultas em ambulatórios de Reumatologia e é responsável por 7,5% dos afastamentos de trabalho. (Portal Brasil, 2012).

Há uma incidência predominante no sexo feminino entre 40 e 59 anos. No entanto, a incidência aumenta com a idade. Estima-se que 85% da população até os 64 anos desenvolva a patologia, e que aos 85 anos essa porcentagem seja de 100%(NOVAES).

A osteoartrose é uma patologia degenerativa crônica, progressiva e ainda não tem cura (HEBERT et al., 2009) (CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005). Nestesentido a acupuntura tem se destacado como terapia complementar aos tratamentos convencionais (YAMAMURA, 2004). Apesar de ser uma ciência antiga, continua sendo um campo aberto a pesquisa e a novos conhecimentos (WEN, 1985).

Conforme apresentado nos trabalhos de Baldry e Thompson (2007), a acupuntura tem revelado resultados relevantes e positivos no tratamento da dor. Porém, de acordo, com Scognamillo-Szabó e Bechara (2001), a carência nas bases científicas da acupuntura restringe sua utilização.

Assim, observa-se a necessidade de novos estudos no contexto da Medicina Tradicional Chinesa. Neste sentido, este trabalho busca contribuir com um maior conhecimento dos efeitos da acupuntura, incrementando os estudos científicos, através de um estudo de caso.

Este estudo de caso tem como objetivo analisar os efeitos da acupuntura no tratamento da dor em conseqüência a um quadro de coxartrose. Ou seja, o estudo busca verificar o grau de dor no quadril antes e após o tratamento de acupuntura

  1. OBJETIVO GERAL

Analisar os efeitos da acupuntura no tratamento da dor na coxartrose.

  1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Verificar o grau de dor antes e após o tratamento de acupuntura.
  • Incrementar os estudos científicos dentro da área da MTC.
  1. REVISÃO DE LITERATURA
  2. FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

A Medicina Chinesa busca enfatizar todos os acontecimentos tidos como sensações geradoras das alterações funcionais e orgânicas que provocam o aparecimento de sintomas e de sinais. O fator causador destes processos nada mais é do que o desequilíbrio da energia interna, ocasionado pelo meio ambiente também em desarmonia, determinando o surgimento do sintoma. Tendo ainda como fatores causais: alimentação desbalanceada, emoções retidas ao longo da vida, fadigas geradas por vários tipos de excessos, dentre outros (YAMAMURA, 1993).

A Acupuntura é o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da medicina tradicional chinesa, que visa à terapia e à cura das doenças através da aplicação de agulhas e de moxa, além de outras técnicas. Esta ciência surgiu na China há aproximadamente 4.500 anos. Apesar de ser uma ciência antiga, continua sendo um campo aberto a pesquisa e a novos conhecimentos. Assim, ao longo dos anos, houve muita inovação relacionada com seus princípios, meridianos e pontos (WEN, 1985).

De acordo com WEN (1985), o tratamento através da acupuntura visa à normalização dos órgãos doentes por meio de um suporte funcional que exerce, assim, um efeito terapêutico. Segundo a teoria da Acupuntura, todas as estruturas do organismo se encontram originalmente em equilíbrio pela atuação das energias Yin (negativas) e Yang (positivas). Por exemplo: pelo princípio de Yin e Yang podem-se explicar os fenômenos que ocorrem nos órgãos através dos conceitos de superficial e profundo, de excesso e deficiência, de calor e frio. Desse modo, se as energias Yin e Yang estiverem em perfeita harmonia, o organismo, certamente, estará com saúde. Por outro lado, um desequilíbrio gerará a doença.

A Medicina Tradicional Chinesa se baseia em conceitos energéticos, tendo o indivíduo como um todo e como parte integrante do universo. Para ela, o indivíduo é constituído por um conjunto de energias, provenientes do céu e da terra, que fluem por todo o corpo, e que devem estar em constante equilíbrio; quando isso não ocorre, temos então os quadros patológicos (SILVA).

Para a Medicina tradicional chinesa, todo o nosso organismo esta imerso em uma grande rede energética que são denominados meridianos, estes meridianos se enraízam em sistemas energéticos dos órgãos, fazendo uma troca de energia entre eles (SILVA, 2007).

De acordo com o mesmo autor acima, sempre que se fala em “órgão” dentro da acupuntura estamos na verdade falando sobre aspectos energéticos e não necessariamente sobre o órgão físico, ou seja, os padrões de energia que se ligam aos órgãos físicos. As doenças são basicamente desordens destes sistemas energéticos, que se não forem tratados a tempo acabam por se introduzir nos órgãos físicos.

  1. TEORIA DO YIN E YANG

É uma teoria muito antiga, e seu conceito provavelmente é o mais importante e distintivo da MTC (medicina tradicional chinesa). Yin e Yang representam qualidades opostas, mas complementares. Cada coisa ou fenômeno poderia existir por si mesmo ou pelo seu oposto. Além disso, o Yin contém a semente Yang, de tal maneira que ele pode se transformar em Yang e vice e versa (MACIOCIA,2007).

O significado original das palavras Yin e Yang correspondia aos lados ensolarado e ensombrado de uma montanha. Todos os fenômenos da natureza são constituídos pelo movimento e transformação dos dois aspectos opostos do Yin e do Yang, como dia e noite, o tempo claro e o sombrio, o calor e o frio, a atividade e o repouso (SILVA).

A teoria do Yin e Yang classifica fenômenos e manifestações segundo vários critérios, dentre eles :

1) Conforme caracteres físicos

Tudo que é animado, em movimento, exterior, ascendente, quente, luminoso, funcional, tudo que corresponde a ação é Yang. Tudo que está em repouso, tranquilo, interior, descendente, frio, sombrio, material, tudo que corresponde a uma substância (matéria) é Yin.

2 ) Conforme a natureza da manifestação

 O céu está no alto, assim é Yang; a terra por estar embaixo é Yin. A água é de natureza fria, escorre, é Yin. O fogo é de natureza quente, suas chamas se elevam, é Yang.

3 ) Conforme as transformações

Em princípio, o Yang transforma-se em Qi, e o Yin torna-se forma, matéria. O Fato de pertencer a Yin ou Yang é relativo, pois por um lado, Yin pode transformar-se em Yang, e vice-versa, e por outro lado, todos fenômenos podem se fragmentar em partes Yin e em partes Yang. Por exemplo, o dia é Yang, mas a manhã é Yang dentro de Yang, e a tarde é Yin dentro de Yang. A teoria Yin-Yang quando aplicada ao corpo humano, faz uma diferenciação entre órgãos (Zang) e vísceras (Fú) , sendo que os primeiros apresentam características Yin e os segundos, características Yang.

 Segundo George Soulié de Mourant, as vísceras (Fú) cujo ideograma Chinês denota a idéia de "talher", são assim denominadas porque transformam em energia e sangue os materiais que recebem do exterior. O fato de estarem em relação com o exterior e fabricarem energia, as caracteriza com sendo Yang. Já os órgãos (Zang) cujo ideograma representa "tesouro", presidem a purificação e circulação do sangue; apresentam características Yin, por controlar a vida interna (Yin) e o sangue (Yin). Os órgãos são representados pelo pulmão, coração, fígado, baçopâncreas, rim e circulação-sexualidade. As vísceras (Fú) são: estômago, intestino delgado, intestino grosso, vesícula biliar, bexiga e triplo aquecedor. (2)

Entendendo-se que a doença é resultado do desequilíbrio Yin-Yang, os métodos de acupuntura devem visar reestabelecer o equilíbrio entre os dois elementos. As doenças que possuem características Yang são agitadas, fortes, quentes, secas, hiperfuncionantes e agudas. As que possuem características Yin, são calmas, fracas, frias, úmidas, hipofuncionantes e crônicas ( SILVA).

  1. TEORIA DOS CINCO ELEMENTOS

Originou-se aproximadamente ao mesmo tempo que a teoria Yin e Yang, as duas pertencem ao período da dinastia Zhou. Pode-se dizer que a teoria dos cinco elementos e Yin e Yang marcam o início do que podemos chamar de medicina científica (MACIOCIA, 2007).

Os antigos chineses chegaram a conhecer através da prática e da vida, observando-a durante longo tempo, perceberam que entre as outras coisas que a madeira, fogo, terra, metal e água eram fundamentais na constituição da natureza (YAMAMURA, 1993).

De acordo com MACIOCIA (2007), os cinco elementos são água, fogo, madeira, metal e terra. A água umedece em descida, o fogo inflama em subida, madeira pode ser dobrada e esticada, o metal pode ser moldado e endurecido, a terra permite a disseminação, o crescimento e a colheita. Assim fica evidente que os cinco elementos não são tipo de materiais, mas sim cinco tipos de processos.

Os cinco elementos também simbolizam cinco direções diferentes na natureza, assim madeira representa o movimento expansivo e exterior, o metal representa o movimento contraído e interior, a água representa o movimento para baixo, o fogo indica o movimento para cima e a terra representa neutralidade ou estabilidade (MACIOCIA, 2007).

Cada um dos cinco movimentos funciona como “mãe” e “filho”, dependendo do referencial. Assim fogo atua como “mãe” de terra e como “filho” de madeira, água atua como “mãe” de madeira e como “filho” do elemento metal e assim por diante. Existe também o princípio de dominância dos cinco movimentos, onde se estabelece que cada elemento apresenta dominância sobre o elemento que o sucede, ou seja, aquele que ele gerou. Esse princípio tem finalidade de controlar o crescimento desenfreado que ocorreria se houvesse somente o princípio de geração (YAMAMURA, 1993).

Segundo o mesmo autor acima, a inter - dominância das leis de geração e dominância dos cinco movimentospromovem a harmonia do sistema, isto é, mantém o equilíbrio da natureza e a saúde no ser humano.

Figura 1 – Tabela com descritivo dos5 elementos

 

MADEIRA

FOGO

TERRA

METAL

ÁGUA

Órgão Zang

Fígado

Coração

Baço

Pulmão

Rim

Órgão Fu

Vesícula biliar

Intestino delgado

Estomago

Intestino grosso

Bexiga

Órgãos sentido

Olhos

Língua

Boca

Nariz

Orelhas

Tecidos

Tendões

Vasos

Músculos

Cabelo-pele

Ossos

Emoção

Raiva

Alegria

Preocupação

Tristeza(desgosto)

Medo

Estação

Primavera

Verão

Fim de verão

Outono

Inverno

Fator ambiental

Vento

Calor

Umidade

Secura

Frio

Crescimento e desenvolvimento

Germinação

Crescimento

Transformação

Maturação

Armazenamento

Cor

Verde

Vermelho

Amarelo

Branco

Preto

Sabor

Azedo

Amargo

Doce

Picante

Salgado

Orientação

Leste

Sul

Centro

Oeste

Norte

Fonte: ROSS (1994)

 

 

  1. TEORIA DO ZANG FU

Corresponde a teoria dos órgãos e vísceras. São considerados três aspectos: o energético, o funcional e o orgânico. Os órgãos, representados pelo Xin (coração), Fei (pulmão), Gan(fígado), Pi (baço/pancreas) e Shen (rins), são responsáveis pela formação, crescimento, desenvolvimento e manutenção do corpo físico e da mente. Já as vísceras (Fu), são o Dan( vesícula biliar), os vasos sanguíneos, o útero, os ossos, a ,medula óssea, a medula espinhal e o encéfalo (YAMAMURA, 2001).

De acordo com YAMAMURA (1993), os aspectos energéticos do corpo conhecidos como Zang Fu são responsáveis pela integridade do corpo.Os Zang Fu formam pares, sendo eles: coração e intestino delgado, baço/pâncreas e estomago, pulmão e intestino grosso, rim e bexiga, fígado e vesícula biliar, pericárdio e triplo aquecedor. Cérebro e útero são considerados órgãos extras (MACIOCIA, 2007 e ROSS, 1994).

De acordo com MACIOCIA e YAMAMURA, as funções dos Zang Fu se apresentam da seguinte forma:

• Coração(órgão Zang) está protegido pelo pericárdio e possui função de controlar a circulação de sangue e os vasos sanguíneos, regular o fluxo de Qi do coração. Abriga e governa o Espírito, controla a consciência, o suor como o fluido do coração, influencia o sono e os sonhos e tem relação com a língua e face, podendo ser lesado pelo excesso de alegria ou agitação.

• O intestino delgado(órgão Fu), controla a recepção e transformação, separa os fluidos, influencia os sonhos e relaciona-se com o coração.

• O fígado(Zang), tem função de armazenar o sangue, controlar a dispersão, determinar as condições dos tendões e dos ligamentos, ser responsável pelo movimento dos fluidos orgânicos, influenciar o ciclo menstrual, nutrir músculos e tendões, influenciar nas unhas e de se relacionar com os olhos.

• A vesícula biliar (Fu), ligado ao fígado onde armazena a bile com a finalidade de ajudar o estômago e o baço/pâncreas na digestão, influencia psicologicamente sonhos e tomada de decisões.

• Baço/Pâncreas (Zang), tem funções relacionas com o controle de transporte e transformação de nutrientes, manter o sangue circulando dentro dos vasos, promover o metabolismo da água, controlar o Qi crescente e abriga o pensamento e tem relação com os músculos, membros e lábios.

• Estômago (Fu), controla o amadurecimento e a decomposição do alimento, controla o transporte de essência do alimento, controla o Qi descendente, origina fluidos corpóreos e influencia o estado mental.

• Pulmão (Zang), controla o Qi e a respiração, governa a superfície do corpo, o cabelo e a pele. Considerada o órgão zang mais externo, tem o nariz como sua abertura e se reflete na pele, pelo e penugem.

• Intestino Grosso (Fu), tem função de transmitir os alimentos digeridos e excretá-los.

• O Rim (Zang), tem função de armazenar a essência, regular o metabolismo da água, controlar o nascimento, o crescimento e a reprodução, nutrir os ossos e os dentes, controlar a atividade mental, controlar e promover a inspiração, ter sua abertura nos ouvidos, no anus e no órgão urogenital e reflete nos cabelos.

• Bexiga (Fu) ,tem função de acumular a urina e depois fazer eliminação.

• Pericárdio (Zang), ligado ao coração, tem função de protegê-lo.

• Triplo aquecedor (Fu), controla a circulação de água no corpo.

Para se adequar o tratamento energético, é preciso chegar à origem das alterações energéticas, que são os Zang Fu. Estes promovem os sintomas e sinais orgânicos e viscerais e também se manifestam ao longo do trajeto de seus canais de energia (YAMAMURA, 1993).

 

  1. CANAIS DE ENERGIA (MERIDIANOS)

Os canais de energia constituem meio de ligação entre o interior e exterior, transmitindo as diversas formas de energia entre os dois meios. Existem 12 canais de energia principais, são eles (YAMAMURA, 1993):

•Os seis canais de energia principais do Yin que correspondem aos órgãos: Canal de energia do Fei(pulmão), do Xin(coração), da Xian BaoLuo (circulação sexualidade), canal energia do Gan (fígado), do Pi (baço/pâncreas) e do Shen (rins).

• Os seis canais de energia principais Yang que correspondem às vísceras: Canal de energia do Dachang (intestino grosso), do Xiaao Chang (intestino delgado) do San Jiao (triplo aquecedor), canal de energia do Wei (estômago), da Pangguang (bexiga) e do Dan(vesícula biliar) (YAMAMURA, 1993).

De acordo com o mesmo acima, existem também os canais de energia curiosos ou maravilhosos, que são em número de oito, estando agrupados em quatro canais de energia Yang: Du mai, Dai mai, Yang QiaoMai,YangWei e em quatro canais de energia curiosos Yin: Renmai, Chong mai, Yin Qiaomai e Yin Wei. Estando estes relacionados com as vísceras curiosas como útero, medula óssea e espinhal e encéfalo.

Segundo Yamamura (1996), são funções dos canais de energia:

• Transporte de Qi e de Sangue, umedece e nutre o corpo. O Qi tem melhor compreensão como energia ou força necessária para promover a atividade funcional ao passo que o sangue é fonte da umectação da lubrificação e de alimentação. É através dos canais de energia que o Qi e o sangue se espalham pelo corpo e assim os tecidos podem desempenhar suas atividades normais. Os canais de energia funcionam com via de penetração das energias celestes da superfície (pele) até o interior (Zang Fu).

A doença origina-se quando por uma série de causas, sejam elas internas ou externas, a função normal do corpo é interrompida, afetando os canais e pontos de Acupuntura que tornam-se mais sensíveis ou doloridos ao toque. Mesmo que uma doença tenha origem em um órgão interno, os sinais e sintomas podem se manifestar em áreas distante, relacionada com aquele canal de Energia associado ao órgão.

Yamamura (1996) cita que: quando o pulmão ou coração está doente, seu Qi é retidonas articulações do cotovelo. Quando o fígado está doente, seu Qi é retido nas axilas. Quando o Baço/Pâncreas está doente, seu Qi é retido nos quadris e quando os rins estão doentes, o Qi é retido na região posterior dos joelhos.O relacionamento do órgão, com uma série de sintomas, só é possível quando seconhece o trajeto do seu canal de Energia.

Transmissão da doença e estimulação da Acupuntura

Quando a doença ataca o corpo, ela pode passar de um órgão para o outro através dos canais de Energia. Uma doença de origem exógena é dito que reside primeiramente nos poros da pele dos quais a doença entra nos canais de Energia de conexão, depois para canais de Energia de conexão maiores, para os canais de Energia principais e finalmente atinge os órgãos internos (Yamamura 1996). Cada um desses estágios manifesta-se com características de aumento de gravidade.

2.1.5 ACUPUNTURA

A arte da Acupuntura visa, através de sua técnica e procedimentos, a estimular os pontos reflexos que tenham a propriedade de restabelecer o equilíbrio, alcançando-se, assim, resultados terapêuticos (WEN, 1985).

Acupuntura consiste na aplicação de agulhas, em pontos definidos do corpo, chamados de "Pontos de Acupuntura", com objetivo de efeito terapêutico em diversas condições de desarmonias ou desequilíbrio orgânico. A tradução do termo em chinês é Chen-Chui,sendo Chen (agulha) e Chui (fogo)respectivamente  (YAMAMURA, 2001). 

A circulação de energia por entre os diversos canais pode sofrer interferência por fatores externos, que poderão ocasionar estagnação ou bloqueiodessa energia e do sangue gerando processos dolorosos ou mau funcionamento dos órgãos (ROSS, 2004). O processo de adoecimento tem seu início com a quebra da harmonia do Yin e Yang. E isso se dá pela vida irregular com: alimentação desregrada, o estresse, as emoções reprimidas, as intoxicações, as fadigas (física, mental e sexual). Esses fatores enfraquecem a Energia Vital dos Zang Fu (Órgãos/Vísceras) gerando doenças (YAMAMURA, 2001).        

Conforme Scott (2004) ressalva, a medicina chinesa considera a mente e a consciência fatores importantes no diagnóstico. Os sentimentos de raiva, compaixão e angústia são naturais nos indivíduos, entretanto, desequilíbrios desses sentimentos geram doenças. Da mesma forma, calor, frio, secura, umidade constantemente se diversificam em nosso organismo, podendo gerar alterações (MACIOCIA, 2007).

A medicina chinesa é um vasto meio de conhecimento de órgãos e concepção filosófica que abrange vários setores relacionados à saúde e ao processo de adoecimento (ROSS, 2004).

A dor é fator de grande importância para o diagnóstico na medicina chinesa. Geralmente é abordada de forma mais completa, sendo abordados: a localização, a natureza, o tempo, e a resposta à pressão (MACIOCIA, 2007). Para o mesmo a dor localizada é decorrência de fleuma, estase, de sangue, ou obstrução por frio ou umidade ou ambos. A dor com característica migratória decorre da estagnação do Qi. Exceto nos casos de Vento nas articulações.

Acupuntura promove um equilíbrio geral no organismo, pois nenhuma doença existe de forma isolada, sempre está associada a algum desequilíbrio. Além do sintoma principal que trouxe o paciente ao consultório, haverá outros sintomas, mesmo de menor importância, que são reflexos do mesmo desequilíbrio. Que, quando tratado com acupuntura, promoverá a cura do paciente como um todo (YAMAMURA, 2001).

 De acordo com WEN (1985) aAcupuntura tornou-se popular desde os tempos antigos na China, conservou-se através dos tempos devido à simplicidade de sua teoria, aplicação e aprendizagem. Podemos citar os seguintes tópicos como sendo os mais indicativos no que se refere à qualidade da Acupuntura:

• Inúmeras possibilidades de aplicação.

Trata qualquer doença, não importando sua localização, oferecendo auxílio de uma maneira ou de outra em todas as faixas etárias e independentemente do sexo, podendo ainda ser facilmente associada a outras modalidades terapêuticas. Mesmo em patologias cirúrgicas, a Acupuntura pode ser usada para melhorar o estado imunológico do paciente e apressar a recuperação no período pós-operatório.

• Diminuição do uso de medicamentos.

Com o uso abusivo de drogas medicamentosas ocorrem frequentes intoxicações, sem que se consigam resultados terapêuticos ideais. A Acupuntura regula o equilíbrio do organismo, melhorando a circulação sanguínea, aumentando a resistência corpórea e sendo capaz de mudar a constituição corporal; por isso, reduz ao mínimo a necessidade de drogas e aumenta a eficácia terapêutica.

• Simplicidade da instrumentação necessária.

A Acupuntura utiliza materiais simples, de fácil transporte, principalmente em algumas emergências. Num meio onde não há facilidades médicas é mais evidente sua utilidade.

• Segurança no tratamento.

A Acupuntura é uma prática muito segura, exigindo apenas uma eficiente esterilização das agulhas e um bom nível técnico do terapeuta.

• Complementa as lacunas da medicina moderna.

Apesar do constante progresso, a medicina moderna ainda não conseguiu resolver muitos dos problemas que atingem o ser humano. Em muitas dessas patologias, a Acupuntura, isoladamente ou associada a drogas, obtém melhores resultados.

• É método auxiliar no diagnóstico.

Muitas doenças são difíceis de diagnosticar. A sensação causada pela aplicação das agulhas pode denotar alterações neurológicas. A localização do processo patológico pode também ser indicada pela resposta à estimulação de determinados pontos, o que auxilia o diagnóstico. Além do mais, se a doença é funcional, a Acupuntura, via de regra, traz melhoras evidentes, o que não ocorre se já houve lesão orgânica; neste caso ela serve como prova terapêutica.

• Os aspectos desfavoráveis.

Podemos citar dois aspectos em que pode-se considerar a técnica da acupuntura desfavorável. Primeiro, o temor despertado pelas próprias agulhas. Por isso, muitos outros métodos de estimulação têm sido desenvolvidos na esperança de substituir as agulhas, mas infelizmente ainda não se conseguiram os mesmos efeitos que as agulhas oferecem. Em segundo lugar, a Acupuntura exige um longo período de tratamento, de perfeição e de maestria manual do terapeuta, o que requer longos anos de aprendizado (WEN, 1985).

2.2 OSTEOARTROSE SOB A VISÃO ORIENTAL

A Medicina Tradicional Chinesa possui uma visão ampla sobre o funcionamento do organismo e seus acometimentos. Neste contexto, o ser humano é parte integrante da natureza e segue os mesmo princípios energéticos com um vasto olhar filosófico sobre o tema(YAMAMURA, 2001).

De acordo com os cinco elementos, o Rim governa a água e controla os ossos. Qualquer desequilíbrio energético envolvendo este elemento pode levar a um prejuízo da integridade óssea. Ou seja, uma deterioração ou fraqueza óssea pode ser relacionada a uma deficiência da energia do Rim (MACIOCIA,2007).

Segundo a MTC, a principal função do Rim é armazenar a Essência. E esta proporciona a base material para o Yin e para o Yang do Rim. Assim, qualquer possível alteração da energia do Rim pode ter íntima relação com a Essência. Outra relação patológica importante envolvendo a energia do Rim é em relação à cronicidade das doenças, pois, o Rim quase sempre é afetado nas doenças crônicas (MACIOCIA,2007).

Dentre as possíveis alterações energéticas do Rim, está a dualidade do Yin do Rim e do Yang do Rim. A Essência e os fluidos são representados pelo Yin do Rim, já o Yang do Rim é descrito como a força motriz de todos os processos fisiológicos. (MACIOCIA,2007).

Devido a sua interdependência, a deficiência do yin acarretará uma deficiência do yang e vice e versa (MACIOCIA,2007). Segundo Maciocia, nas mulheres com mais de 45 anos de idade uma deficiência do Rim quase sempre abrange uma deficiência do yin e do yang do Rim. Porém, uma deve se sobrepor a outra.

A MTC possui um olhar mais abrangente, não foca a doença e sim todo o processo de desequilíbrio, enfatizando os fenômenos precursores das alterações funcionais e orgânicas(YAMAMURA, 2001). Por isso, uma avaliação abrangente e detalhada é de suma importância da busca do diagnóstico preciso.

 

2.3 OSTEOARTROSE SOB A VISÃO OCIDENTAL E ANATOMIA DO QUADRIL

 

A osteoartrose é uma patologia degenerativa crônica, caracterizada pela deterioração da cartilagem articular e pela neoformação óssea nas superfícies articulares. É progressiva e ainda não tem cura (HEBERT et al., 2009)(CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005). Manifesta-se por dor articular, rigidez e limitação da função articular, com reparação inadequada da cartilagem e remodelagem óssea subcondral (CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005).

Apesar de ser comumente nomeada de osteoartrose, esta doença pode ser designada por outros termos, como doença articular degenerativa, artrose, artrite hipertrófica e artrite degenerativa. No entanto, osteoartrite e osteoartrose são os mais difundidos e aceitos (CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005). No quadril pode, ainda, ser chamada de coxartrose ou malumcoxaesenilis (HEBERT et al., 2009).

Os sinais e sintomas clínicos relacionados à coxartrose são de grande importância para diagnóstico e tratamento. Delas, a principal é a dor localizada no quadril. A dor é intensificada pela carga e pelos movimentos do quadril. A maioria dos pacientes descreve que a dor piora ao inicio dos movimentos, ou seja, o movimento que se inicia após um período em repouso (HEBERT et al., 2009) (NEUMANN, 2006).

Outros sinais e sintomas incluem redução do espaço articular, sinovite, rigidez articular, principalmente após repouso, atrofia muscular, formação hipertrófica, redução da amplitude de movimento e deformidades em flexão, adução e rotação externa, estas decorrentes de espasmo muscular e retração capsular (NEUMANN, 2006).

Em fases mais avançadas da doença é observada a redução da funcionalidade e independência do paciente, pois atividades comuns, e antes simples, refletem uma importante incapacidade, como vestir meias, calçar e amarrar sapatos e até sentar e levantar de assentos um pouco mais baixos. Ao exame físico é comum a alteração da marcha, que varia de acordo com a evolução dos sinais e sintomas, indo desde uma discreta claudicação até a utilização de órteses, como bengala (HEBERT et al., 2009).

Quanto à etiologia, a osteoartrose pode ser classificada em primária ou idiopática, quando o processo ocorre sem causa aparente, ou secundária, quando o processo dá-se por causa conhecida ou preexistente, como um trauma, necrose avascular da cabeça do fêmur, luxação congênita, artrite reumatoide, espondilite anquilosante, doença de Paget, entre outras.(HEBERT et al., 2009) (NEUMANN, 2006)(CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005). Assim, quase todas as formas de lesão ou doença articulares podem gerar um quadro de osteoartrose(HEBERT et al., 2009).

A osteoartrose, que é a doença reumática mais frequente em toda população mundial(CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005), é mais comum em idosos (HEBERT et al., 2009). Mesmo quando há um início da patologia precoce, os sinais e sintomas são mais evidentes com a evolução da doença e avançar da idade. Assim, a osteoartrose é “mais prevalente” com o aumento da idade, tendo alta incidência após os 60 anos de idade(HEBERT et al., 2009).

 

Explorando mais as alterações articulares, observa-se que a deterioração que ocorre na cartilagem é caracterizada por profundas alterações na face articular, como fibrilação, fissuras e erosões.  Mudanças na atividade biossintética dos condrócitos e em sua composição são responsáveis por essas alterações(HEBERT et al., 2009). Desta maneira, sem um mecanismo adequado para dissipar as cargas, as superfícies articulares podem se deteriorar e mudar sua forma (NEUMANN, 2006).

Assim, enquanto a cartilagem se deteriora, sua capacidade de reparação torna-se menor, e o metabolismo evolui para a degeneração (CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005). Estreitamento do espaço articular, esclerose subcondral, presença de osteófitos marginais e aparecimento de cistos e geodos são encontrados com frequência nos exames radiográficos do paciente com osteoartrose. (HEBERT et al., 2009).

Essas alterações são visíveis pois há uma desorientação da rede colágena e da hidrofilia dos proteoglicanos. Com sua evolução, a cartilagem articular torna-se rígida e opaca com presença de fibrilações e erosões, há também importante alteração na congruência das faces articulares. O liquido sinovial é empurrado para as fendas desenvolvidas na cartilagem articular até alcançarem o osso subcondral, formando assim, pseudocistos, que são localizados na radiografia (CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005).

Este quadro progride até a degeneração completa da cartilagem, com exposição do osso subjacente. Fragmentos de cartilagem livre levam a respostas imunológicas. Em consequência há o desenvolvimento de sinovite com fagocitose dos fragmentos e liberação de citocinas pró-inflamatórias. Com isto, há uma proliferação do tecido sinovial com espessamento da cápsula, ligamentos e tendões. Os ligamentos e a cápsula articular não suportam mais as forças sobre eles direcionadas. Há um encurtamentos desses tecidos, com aderência sinovial.Além disto, o líquido sinovial apresenta mudanças em sua viscosidade, sendo ele produzido em menor quantidade(CHIARELLO; DRIUSSO; RAD, 2005).

O principal sintoma da doença, a dor, ocorre, na maioria das vezes, pela irritação sinovial já descrita. A estimulação em excesso dos tecidos adjacentes à articulação e exposição do osso devido a degeneração da cartilagem articular, também podem ser fatores desencadeantes da dor (HEBERT et al., 2009).

2.3.1 ANATOMIA DO QUADRIL

À região compreendida entre a crista ilíaca e o trocânter maior do fêmur dá-se o nome de quadril ou articulação coxo femoral. Esta é constituída de uma cabeça globular, a cabeça do fêmur e o seu respectivo receptáculo. Este receptáculo é denominado acetábulo (do latim, taça de vinho) e possui formato de cúpula na porção lateral de cada hemipelve(HEBERT et al., 2009). O acetábulo é constituído de três ossos isolados: o ílio, o ísquio e o púbis (DÂNGELO; FATTINI, 2002) erecebe a cabeça femoral esférica (HEBERT et al., 2009).

Deste modo, o quadril é a articulação entre a cabeça esférica do fêmur e o encaixamento propiciado pelo acetábulo da pelve (NEUMANN, 2006), conforme visualizado na figura a seguir. Estas superfícies articulares são recobertas por cartilagem em aproximadamente dois terços (HEBERT et al., 2009). Esse conjunto de encaixes permite movimento simultâneo entre os membros inferiores e a pelve, sendo classificada como articulação esferoide (NEUMANN, 2006).

Observa-se ainda que a cabeça do fêmur é conectada ao fêmur através do colo do fêmur, este é responsável por projetar medialmente a cabeça do fêmur em direção ao acetábulo. Esta configuração serve para deslocar a parte proximal do corpo do fêmur lateralmente, afastando-a da articulação, evitando assim a colisão óssea contra a pelve (NEUMANN, 2006).

Com todas essas especificidades é possível ao quadril oferecer movimento compatível com a locomoção e suportar o peso corporal. Este suporte é realizado, pois a articulação coxo femoral transfere o peso de toda estrutura corporal para o membro inferior, e, em contrapartida, há a transferência das forças propulsivas do membro inferior para o tronco (HEBERT et al., 2009).

Para que a articulação realize as funções citadas, é necessário um perfeito alinhamento e estabilidade (HEBERT et al., 2009).  Estes são permitidos, pois a cabeça do fêmur é mantida em congruência ao acetábulo, porém, em virtude de ligamentos extensos e grandes músculos. O amortecimento das forças que passam pela articulação é possível devido a estruturas como a cartilagem articular, a musculatura e osso esponjoso na parte proximal do fêmur. A deterioração de um ou mais estruturas citadas, em consequência a doença ou lesão, frequentemente leva a um comprometimento de toda dinâmica articular (NEUMANN, 2006).

Portanto, quaisquer desalinhamento ou alterações da congruência articular, por menor que seja, levam a um desgaste da cartilagem articular(HEBERT et al., 2009)e consequente limitações funcionais como andar, subir escadas, vestir, dirigir, sentar e levantar (NEUMANN, 2006).

3. METODOLOGIA

3.1 TIPO DE PESQUISA

O método de pesquisa utilizado para a busca de dados é o da pesquisa exploratória. Segundo Gil (2002) as pesquisas exploratórias têm como objetivo propiciar maior conhecimento do problema, visando torná-lo mais explícito, e o desenvolvimento de ideias.

3.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO E AMOSTRA

Este estudo de caso conta com participação de um indivíduo do sexo feminino, com 60 anos, residente em Itaboraí- RJ, que apresenta queixa de dor no quadril com diagnóstico ocidental de Osteoartrose.

3.3 COLETA DE DADOS

O instrumento de medida para coleta de dados utilizado nessa pesquisa foi uma ficha de avaliação segundo a Medicina Tradicional Chinesa, constando de Anamnese e Exame Físico. (Anexo1)

A principal medida para efeito comparativo da eficácia do tratamento proposto foi a escala numérica de dor. Esta escala de 11 pontos, varia entre valores inteiros de 0 a 10, em que 0 representa “Ausência de dor” e 10, “A pior dor que pode imaginar”, sendo o indivíduo instruído a indicar o número que melhor representa a sua dor.

Esta escala foi aplicada na avaliação e em todas as sessões de tratamento.

3.4 TRATAMENTO

A paciente foi submetida a um tratamento envolvendo técnicas de acupuntura, com uma sessão semanal de sessenta minutos de duração cada uma, perfazendo um total de 15 sessões, sendo utilizadas agulhas de acupuntura esterilizadas e descartáveis. A evolução do tratamento é descrita no Anexo 2.

 

4. ANÁLISE DOS DADOS

APRESENTAÇÃO DA AMOSTRA

Paciente, sexo feminino, 60 anos, dona de casa. Relata como queixa principal “muita dor na região do quadril”. Paciente apresenta diagnóstico ocidental de coxartrose esquerda e gradua seu quadro álgico em 8 na escala numérica de dor, sendo esta constante. Devido à intensidade da dor a paciente apresenta dificuldade para dormir, relatando sono interrompido, além de limitações em atividades diárias e falta de firmeza nos membros inferiores. Em consequência, paciente frequentemente apresenta-se irritada. Não apresenta dor a palpação. Apresenta edema nos pés, cabelos brancos e osteófitos na coluna vertebral. Paciente possui diagnóstico de hipertensão e diabetes.Relata indisposição à tarde, além de episódios de cefaleia, labirintite e parestesias em mãos e pés. História de câncer em rim esquerdo, cirurgia para retirada do tumor e dois abortos. Nutrição rica em legumes, frutas, verduras e peixe. Refere fezes pastosas e sem forma.

  1. DIAGNÓSTICO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Com base nos dados obtidos na Avaliação realizada, alguns fatores importantes são observados, destes, a queixa principal merece destaque. A dor em virtude de uma deterioração articular evidencia uma importante deficiência relacionada à energia do Rim. A presença de osteófitos na coluna vertebral, gonartrose, cabelos brancos e história de aborto somam a evidência da importante Deficiência do Rim.

Estes fatores em conjunto e dado a particularidade de cada um evidenciam a deficiência da Essência do Rim. Esse padrão pode ser gerado tanto pela Deficiência do Yin do Rim como pela Deficiência do Yang do Rim (Maciocia, 2007). Neste sentido observa-se uma Deficiência do Yin sobrepondo a Deficiência do Yang do Rim, devido ao quadro de doenças crônicas, como a osteoartrose instalada no quadril.

Outros sintomas como cefaleia e irritabilidade ocorrem como consequência ao padrão identificado anteriormente. De acordo com os cinco elementos uma deficiência do Rim gera uma deficiência do Fígado. Esta deficiência do Fígado é manifestada por cefaleia, labirintite, parestesias e irritabilidade identificadas na avaliação.

Com o objetivo de tratar a raiz causadora de todo o desequilíbrio verificado, foram selecionados os pontos a seguir:

  • VC4: Fortalece o Rim e o Qi original. Além de tonificar o sangue e o Yang. (Kim, 2014)(Focks, 2005)(H.-U. Hecker et al, 2010). Segundo Maciocia, esse ponto é um tônico excelente do Yin.
  • BP6(Sanyinjiao): É o cruzamento dos três Yin, fortalece, em particular o Yin. (Maciocia, 2007) )(H.-U. Hecker et al, 2010). Nutre o Yin e o sangue, fortalece o Rim (Maciocia, 2007) (Focks, 2005) )(H.-U. Hecker et al, 2010). Fortalece as funções do Baço (Kim, 2014) (Focks, 2005).
  • R3 (Taixi): Ponto importante para tonificar o Rim, além de ser ponto Fonte. Este ponto pode fortalecer a Essência, os ossos e a Medula. (Kim, 2014) (H.-U. Heckeret al, 2010) (Maciocia, 2007).  O R3 é capaz de tonificar todos as partes do Rim, ou seja, Essência do Rim, Qi do Rim,Yin do Rim, Yang do Rim e a recepção do Qi do Pulmão pelo Rim (Maciocia, 2007) (Focks, 2005). 
  • R6 (Zhaohai): Importante ponto para deficiência do Yin do Rim, ou seja, esse ponto nutri o Yin do Rim (Maciocia, 2007) (Kim, 2014) (Focks, 2005)(H.-U. Hecker et al, 2010).
  • R7 (Fuliu): Esse ponto tonifica o Rim e elimina umidade (Kim, 2014).e edema (Maciocia, 2007). Nutri o Yin, fortalece o Yang de todo o corpo além de estabilizá-lo. (Focks, 2005) )(H.-U. Hecker et al, 2010)
  • VG4 (Mingmen): O VG4 tem conexão com a Essência, é a parte Yang da Essência(Maciocia, 2007).  Esse ponto tonifica o Yang do Rim e o Qi original, além de também tonificar a Essência (Maciocia, 2007). (Focks, 2005). (H.-U. Heckeret al, 2010). De acordo com Kim (2014), esse ponto também possui a função de eliminar vento interior.
  • B23( Shenshu): É o ponto mais importante para tonificar o Rim. É usado em qualquer cronicidade ligada ao Rim. (Maciocia, 2007). Ele nutri o Yin do Rim e tonifica o Yang do Rim. Pode ser usado em qualquer Deficiência do Rim, fortalecendo todos os aspectos do Rim, Yin, Yang, Essência, Qi e recepção do Qi do pulmão pelo Rim (Maciocia, 2007). (Focks, 2005). (H.-U. Heckeret al, 2010). Beneficia os Ossos e a Medula. (H.-U. Heckeret al, 2010)
  • B52 (Zhishi): Apresenta característica de tonificação do Rim, além de também nutrir a Essência (Maciocia, 2007) (Kim, 2014). Quando combinado com o B23 tem seu efeito ampliado (Maciocia, 2007).

4.3 ANÁLISE DO TRATAMENTO

  A Escala Numérica de Dor foi o instrumento utilizado para mensurar a dor no quadril da paciente e assim, verificar a eficácia do tratamento de acupuntura utilizado. A paciente apresentava antes de iniciar o tratamento um grau de dor severa correspondente a 8 pontos, e ao final leve, representado por 2 pontos, sendo 0 dor nenhuma e 10 relacionado a dor máxima. Esta redução de 6 pontos entre o início e o final do tratamento é visualizada no Gráfico 1. A paciente relatou que após o término do tratamento suas dores ficaram reduzidas a pequenos desconfortos pouco frequentes no decorrer das semanas.

 Observa-se que a dor teve um decréscimo conforme o tratamento foi realizado. Pode-se inferir que em apenas duas sessões de atendimento houve significativa evolução do quadro álgico, pois a dor passou de 8 na sessão 1 para 3 na sessão 3. Porém, mesmo diante deste fato, observa-se que o nível de dor manteve-se inferior ao valor inicial. E posteriormente a linha retornou a cair, evidenciando a redução do quadro álgico, após cessar o processo infeccioso.

Fonte: Dados coletados pelo pesquisador.

A partir da sessão 8, a dor atinge um nível 2 e até o final do tratamento a mesma não aumenta. Ou seja, a dor mínima mantida por mais de um atendimento foi alcançada em apenas 8 sessões.

Além da melhora do quadro álgico evidenciado através da Escala Numérica de Dor, há relatos positivos da paciente que fortalecem o efeito obtido pelo tratamento. São elas:

  • As crises de dor de cabeça praticamente sumiram. São esporádicas e suaves.
  • Fezes, antes pastosas, possuem forma;
  • Não teve mais crises de Labirintite;
  • Relata membros inferiores mais firmes;
  • Sua disposição melhorou muito, não se sente mais cansada no meio da tarde;
  • Não há mais parestesia nas mãos e pernas;
  • Não sente mais seu estômago pesado; 
  • Passou a ter um sono inicial sem dificuldade e contínuo;
  • Diminuição dos edemas nos pés quase por completo.

5. CONCLUSÃO

O presente estudo se propôs a analisar o efeito da acupuntura no tratamento de dor em virtude de coxartrose. O tratamento foi realizado com o intuito de buscar equilíbrio através da raiz causadora do processo álgico.

O indivíduo tratado apresentou uma melhora considerável no quadro álgico, reduzindo 6 pontos na escala numérica de dor, diminuindo a graduação de  8 para 2.

Além do objetivo proposto, puderam ser observadas outras alterações importantes, como redução de dores de cabeça, ausência de labirintite, melhora da qualidade do sono, diminuição de edema em pés, melhora da disposição física, entre outras.

Portanto, conclui-se que o tratamento de acupuntura foi eficaz na redução da dor no quadril em consequência a degeneração articular.

 

ANEXO I

Avaliação na Medicina Tradicional Chinesa

DATA: 31/12/2013

  • NOME: Paciente X
  • TEL: (21) xxxx-xxxx
  • IDADE: 60
  • END.: Itaboraí - RJ
  • PROFISSÃO: Do lar
  • QUEIXA PRINCIPAL (QP): “muita dor na região do quadril” (lado esquerdo).
  • HISTÓRICO DA DOENÇAATUAL (HDA)

a) HÁ QUANTO TEMPO: Há dois anos

b) CAUSA: Dor devido aosteoartrose no quadril. A dor ocorre ao movimentar-se rápido ou não, pegar peso ou qualquer outro esforço, a mesma inicia e permanece de maneira intensa. Também aparece quando está dormindo, principalmente quando está deitada de lado, com o lado esquerdo para cima, ao mudar de posição a dor reduz aos poucos. Paciente descreve falta de firmeza nos membros inferiores, principalmente para subir degraus.

c) TRATAMENTO ATÉ O MOMENTO: Administra Glucosamina e Condroitina.

  • HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP): Diabetes (3 anos); Pressão alta na vista; Hipertensão (8 anos); Câncer no rim esquerdo (2004 fez cirurgia e retirou o pedaço acometido); Nódulos na Tireóide (6 anos); Hipotireoidismo; Memória debilitada; Osteófitos na coluna; Osteoartrose nos joelhos; Cervicalgia.
  • HISTÓRICO FAMILIAR (HF): Mãe= Diabetes; Pai= Câncer no estômago
  • HISTÓRICO SOCIAL (HS): Não bebe, não fuma, não usa drogas e também não pratica atividade física.

* Exame Físico:

  1. Disposição Geral

a) Postura ao chegar: Normal.

b) Disposição ao acordar: Acorda bem disposta, sem sensação de peso.

Obs: No período entre 15hs e 17hs tem a disposição física diminuída.

  1. Voz: Normal
  2. Emoções: Irritabilidade devido à dor.
  3. Sono: Insônia inicial e sono interrompido no decorrer de todo o sono (devido à dor).
  4. Apetite: Sem alterações.
  5. Sede: Consome 2L de água diariamente.
  6. Visão: Astigmatismo; Pressão alta; Sensibilidade à Luz.
  7. Paladar: Preferência por salgado.
  8. Olfato: Sem problemas.
  9. Audição:Labirintite.
  10. Cabelos: Brancos.
  11. Unha: Não são quebradiças.
  12. Pele: Sem alterações
  13. Respiração: Sem problemas respiratórios.
  14. Vertigem e Tontura: Tontura ao andar no banco de trás do carro.
  15. Cefaléia: Generalizada, principalmente na região frontal e atrás do olho.
  16. Aparelho Músculo-esquelético: Osteoartrose (quadril / joelhos); Osteófitos na coluna.
  17. Tendões e Ligamentos: Sem alterações.
  18. Sudorese: Sem alterações
  19. Sensação térmica que mais incomoda: Calor.
  20. Varizes / Hemorróidas: Pequenos vasos em grande quantidade / Hemorróidas internas.
  21. Palpitação: Não.
  22. Hipertensão: Sim.
  23. Hipotensão: Não.
  24. Parestesia: Nas pernas e mãos quando está sentada.
  25. Cãibras: Não.
  26. Taquicardia: Não.
  27. Digestão: Lenta. Sensação de estômago pesado.
  28. Evacuação: Sem forma, afunda e algumas vezes com restos de alimentos.
  29. Micção: Normal. Consegue segurar a micção.
  30. Aparelho Reprodutor:

a) Libido: Normal, ou seja, apresenta apetite sexual.

b) Fertilidade: Fez ligadura de trompas aos 31 anos.

c) Gestações: Quatro (duas dessas gestações aborto provocado)

d) Menstruação: Aos 45 anos entrou na menopausa.

e) Corrimento: Não.

  1. Prótese: Óculos.

Observação: Edema em membros inferiores, principalmente nos pés.

* Lingua: Tamanho normal; rígida; marcas de dente; saburra úmida, branca na base.

* Pulso: Profundo; flutuante.

* Observações: O diagnóstico da Medicina Tradicional Chinesa é Deficiência da Essência do Rim.

* Tratamento: VC4; BP6; R7; R6; R3; VG4; B23; B52.

 

ANEXO II

Evolução do tratamento

Os pontos selecionados foram utilizados em todas as sessões de tratamento, todos em equilíbrio: VC4, R3, R6, BP6, R7, VG4, B23, B52.

  • Primeira sessão: Realizada a avaliação com base na Medicina Tradicional Chinesa(Anexo 01). E iniciado o tratamento.
  • Segunda sessão: Paciente referiu melhora no quadro álgico, relatando dor somente uma vez à noite com intensidade leve e momentânea. Dormiu melhor. Dores de cabeça espaçadas e suaves no decorrer da semana.
  • Terceira sessão: Paciente referiu melhora no quadro álgico. Dores leves ocorreram ao sair de dentro do carro (no decorrer dessa semana fez uma viagem longa de 21 horas fracionada em dois dias) ou dormindo. Relatou também ser comum sentir tonteira e enjôo quando viajava de carro, porém os mesmos não foram sentidos.
  • Quarta sessão: Manteve o quadro álgico reduzido, relatando somente alguns episódios de dor.
  • Quinta sessão: Relatou quadro de infecção urinária, nesse período de aproximadamente oito dias, destacou dores por todo corpo no decorrer do dia e da noite, inclusive na região do quadril.
  • Sexta sessão: Ainda apresentava infecção urinária, porém com melhora do quadro álgico.
  • Sétima sessão: Referiu começar a visualizar fezes com formato. Relata dormir melhor, dores de cabeça menos frequentes e muito mais suaves desde quando começou o tratamento. Relatou incômodo leve na região do quadril e não mais dor, ocorrendo apenas duas vezes no decorrer da semana.
  • Oitava sessão: Referiu melhora do quadro álgico, com apenas um momento deincômodo referido durante a semana. Diminuição considerável do edema nos pés. 
  • Nona sessão: O quadro da sessão anterior foi mantido. Menos fraqueza ao subir degraus, dormindo bem.
  • Décima sessão: Referiu melhora geral, relatou dor apenas uma vez, apenas à noite. 
  • Décima primeira sessão: Referiu incômodo no decorrer da semana ao dormir.
  • Décima segunda sessão: O quadro da sessão anterior foi mantido.
  • Décima terceira sessão: O quadro álgico foi mantido.          
  • Décima quarta sessão: Referiu incômodo no decorrer da semana durante o dia e à noite.
  • Décima quinta sessão: Sentiu leve incômodo, não chegando a ser dor, em alguns poucos momentos no decorrer da semana. Fezes com formato, paciente dorme melhor, dores de cabeça espaçadas. 

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